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Lady Grilzz

Acredito que foi em Londres mais de 10 anos atrás que vi grillz pela primeira vez. Acessório para os dentes, como uma jóia. Ano passado encontrei um dentista-artista que faz o tal dente de ouro, tudo dentro dos conformes. Juntei a finaleira do fgts da demissão e me joguei no molde. Peça pronta, níquel cromado- porque o ouro mesmo deixo para a próxima quem sabe, saí toda feliz do studio, embora com um pouco de vergonha de ser só eu usando.

Na primeira balada, depois de umas cervejas e Jagermeister, era começar a conversar para a peça sair voando e as amigas loucas afastando as cadeiras para encontrar: o dente dela caiu! caiu? que dente, que horror! hahahaha. Depois de duas vezes perdida e encontrada a peça me proibiram de usar.

Guardei. Teria que cimentar. Mas estava sem coragem. Semana passada levei o filho no dentista e ela tinha a resina certa para fixar o dentão. E cá estou eu com um sorriso pop. As amigas fizeram tsc,tsc, dois caras elogiaram a beleza, outro a atitude. Como o carnaval já é semana que vem, vou manter, mesmo porque pra tirar agora, só voltando no consultório. Ou se aparecer uma entrevista de emprego em lugar com fachada formal.


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I´ll be fine

Please Like Me, a série australiana da Netflix, me pegou. O millenium mais quero-ter-como-amigo do mundo, Josh Thomas é estranhamente tão próximo e querido, que gruda na mente. O sotaque peculiarmente tão  inglês de cada personagem  faz com que se queira reproduzir as falas e uma mudança para Austrália logo já, não cairia mal.

No plot está Josh jovem recentemente gay, ele mesmo roteirista e estrela da série, e sua turma apenas vivendo uma rotina honesta e talvez por isso um tanto dramática e engraçada. Sinceridade, confusão pra entrar na idade adulta e tempo de voltar atrás das decisões em uma classe média de primeiro mundo, norteia todos os curtos episódios das 4 temporadas disponíveis até agora. Assuntos tabus e outros nem tanto para tanta gente, como aborto, racismo, homofobia e um way of life LGBT de livre acesso sem hipocrisia,  deixam um gostinho de sarcasmo fino da vida real em cada capítulo.

Para completar tem essa música que me deixa alegre e alegre de novo, por permear todo o projeto, como um sinal de que se começamos pra cima, não importa como se está na altura da jornada, no final ficaremos bem.

Please Like Me é pura reflexão e diversão!


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Uma vida sem propósito

Imagem Pinterest


Aquele pequeno aviso que já veio em forma de quebrar a unha fechando a porta, queimar a língua na colher de café quente, morder a boca quando desviou por milímetros da rabeira do outro carro, alarmou-me de novo. Nem lembro como estava fantasiado dessa vez, somente sei que não dá mais para adiar essa vida. Isso não é só um aviso é um s.o.s da alma para o universo. É chegado o momento de consertar.

Ando quebrada há tanto tempo que insisto em somente colar. Colo, passa, esqueço, quebro de novo. Pois, nem o mais poderoso superbonder do mundo funciona mais. Devo enfrentar, encarar o autonomismo, reaprender a respirar, tirar a curiosidade da caverna, tirar o corpo do ponto morto, rolar mais no chão com o filho que cresce e não vai mais dar tempo de rolar se não for hoje, rir de mim. As auto ajudas modernas disfarçadas de propósitos para uma vida melhor, dizem isso e em grande parte não estão erradas. Errada estou eu. Constipada de mim mesmo. Encalacrada. Emburrada. Feia. E consciente.

Se paro para me ouvir é uma barulheira tão danada, que voltava os fones de ouvido por mais umas horas, uns dias, umas semanas, até a próxima tpm. A última foi serena, não doeu, só sangrou muito, mas trouxe o alerta de que uma vida com tantas possibilidades desperdiçadas como a minha é um ranço que não me pertence, que não devo carregar. Posso me mexer, o caminho está livre, basta andar.


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Home office mais home do que office

imagem: weheartit.com

Então li tudo sobre home office. Sites como A Beautiful Mess mostram escritórios em casa maravilhosos, ambientados, serenos, perfeitos para a inspiração fluir e a criatividade bater recordes.

Pena que esses sites não tem som ao vivo e nem mostram uma criança brincando de Homem Aranha pendurada na janela. Sim, o rádio existe, a TV passando Dora Aventureira também. Tem o entregador que chama, o vizinho funkeiro, o cara que veio carpir o mato da calçada, o telefone que toca. E tem que acordar uma hora antes pra adiantar o almoço, passar o café e botar o pão de ontem no forninho. Afinal, não dá tempo de ir à padaria e nem deveria, isso de home office quer dizer trabalho e trabalho é aquilo que você faz enquanto está no escritório ou faz em casa nos mesmos moldes, mesmo que o resto do mundo pense que simplesmente você “está em casa”.

Estar em casa não estando. É como o pai presente apenas de corpo, que nunca se conectou de alma com os filhos. Fazer as pessoas acreditarem que você ali sentada na frente do computador na copa de casa está produzindo conteúdo é a parte difícil. Trabalhar é fácil. Tem o Exchange que nos libera os emails todos e o Runrun que é online.

A jornada mal começou. A evangelização do filho, dos parentes, do leiteiro é continua: mamãe não está em casa. Até está para um beijo e abraço de bom dia, uma parada para um café e arrumar as coisas do pequeno para levar pra escola. Mas não para brincar ou bater papo. Essas coisas ficam para o fim da tarde, como sempre foram.

Acredito no feitiço do tempo que faz as coisas se assentarem, ou somos nós que nos acostumamos às novidades. Controlar a ansiedade de não dormir na noite anterior ao home office já parece passado. Agora é olhar para o futuro quando não vou mais cantar junto com a abertura do Cocoricó.


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It´s about CHANGE

Foto: Google Images


Ontem, 17 de junho de 2013, os brasileiros foram às ruas para protestar pelo abusivo aumento da tarifa de ônibus para 0,20 centavos. Foi a revolta do #passelivre. Sim, it’s about CHANGE.
Acompanhando pelas redes sociais, quase como se estivesse ali no largo da Batata em São Paulo, caminhando pela Consolação e chegando a outras ruas que não sei o nome, por fotos, vídeos e relatos marcantes, conseguia absorver a dimensão do levante do povo, do grito há muito preso na garganta pelos direitos que não temos.
Ao mesmo tempo, Alex vinha a minha casa. Brincou um pouco com o filho, trocou umas palavras com meu pai. Veio conversar comigo. Sentou-se na cama que compramos juntos em 6x e levamos 12 para pagar. Depois sentou-se na cama do filho. Doía-lhe a cabeça. Ele a segurava, reclamava. Disse que teve febre. Antes lhe dei um comprimido e um pedaço de bolo de chocolate. Ele pediu refrigerante mas não tinha.
Ensaiou as palavras. Os motivos nós sabíamos claramente, mas eu os meus, ele os dele. Um incompreensível para o outro. Olhou pra mim um pouco e disse que não ia mais fazer o tratamento porque não tinha condições de chegar até a clínica. Não tem o dinheiro do busão. Eu quis ajudar, te dou o passe mensal, disse. Ele não queria o passe, queria outra coisa de mim, o meu calor talvez junto do corpo dele, não disse que era isso, mas sabemos. Era isso que eu também queria. O passe ele não aceitou. Afinal um passe caro desses, quem aceitaria?
Desistiu do passe e de nós. Oficialmente, declarou. Não podia viver assim, sem passe e sem amor. Quem sabe não seria melhor, desempatar a vida, pensou alto.
Abraçou o filho e foi embora. Eu não disse nada, não chorei, não respirei.
A manifestação correndo livre lá fora, mostrava a Record na tv – uma das únicas emissoras que parecia ser um pouco mais real, do lado da situação. Aqui dentro, eu ainda em suspensão. Os 0,20 centavos nos castigou, ajudou a enfraquecer quem mais precisava deles naquele momento.
E os manifestantes venceram, afinal? Torço por essa vitória, ainda que tenha perdido um amor que sucumbiu a todas as dores de um relacionamento e as dores do Brasil.
Meu coração se manifesta.


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Lady Grilzz

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