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Das cenas bonitas do dia-a-dia

É tanta conta pra pagar, casa pra limpar, feijão pra congelar, filme pra ver, sono pra dormir (desse tem muito guardado!) brincadeiras pra brincar, lista pra comprar, foto pra revelar, que me esqueço de apreciar. Simplesmente ver uma coisa bonita do meu dia. Um sorriso maroto do meu filho, um bom dia sem graça do moço com um lado do corpo paralisado, o horizonte que enxergo do portão da minha casa e que me mostra um verde infinito de eucaliptos que me fazem respirar melhor. Não vejo nada disso. Me esqueço de apreciar no momento em que acontecem. Por vezes, lembro tarde da noite, já na cama, mas penso que pode ser um pedaço de sonho.

Ando com um pouco de receio de não estar vivendo de verdade. Passo mais tempo preocupada do que aliviada. E nem é a sensação de alívio que vai me mostrar que estou vivendo bem. É a tal da tranquilidade, o momento de bobagem, de se jogar num pensamento preguiçoso, que não me cobra, não me amola, não me culpa. É essa danada que não me acompanha mais.

E sem ela, não aprecio e não rio de doer a barriga. Quando faço, parece que calculei os minutos que aquela pequena paz podia durar. Está errado.

O que eu faço pra mudar? Respiro e jogo primeiro o pensamento no ar, esse que está me perturbando. Conto pra mim mesma que não estou sendo legal comigo e por consequência com os outros. E me descolo um pouco de mim, dos meus fatos, das minhas verdades, para ver que o meu redor é rico e brilhante. E que eu escolhi grande parte do que vejo todo dia.

Um soluço me toma e passo a apreciar novamente os detalhes, não só os que vejo nos boards do Pinterest, mas aqueles que estão ali no meu colo e no meu quintal. Os melhores de sempre.


Das cenas bonitas do dia-a-dia

É tanta conta pra pagar, casa pra limpar, feijão pra congelar, filme pra ver, sono pra...
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