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It´s about CHANGE

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Foto: Google Images


Ontem, 17 de junho de 2013, os brasileiros foram às ruas para protestar pelo abusivo aumento da tarifa de ônibus para 0,20 centavos. Foi a revolta do #passelivre. Sim, it’s about CHANGE.
Acompanhando pelas redes sociais, quase como se estivesse ali no largo da Batata em São Paulo, caminhando pela Consolação e chegando a outras ruas que não sei o nome, por fotos, vídeos e relatos marcantes, conseguia absorver a dimensão do levante do povo, do grito há muito preso na garganta pelos direitos que não temos.
Ao mesmo tempo, Alex vinha a minha casa. Brincou um pouco com o filho, trocou umas palavras com meu pai. Veio conversar comigo. Sentou-se na cama que compramos juntos em 6x e levamos 12 para pagar. Depois sentou-se na cama do filho. Doía-lhe a cabeça. Ele a segurava, reclamava. Disse que teve febre. Antes lhe dei um comprimido e um pedaço de bolo de chocolate. Ele pediu refrigerante mas não tinha.
Ensaiou as palavras. Os motivos nós sabíamos claramente, mas eu os meus, ele os dele. Um incompreensível para o outro. Olhou pra mim um pouco e disse que não ia mais fazer o tratamento porque não tinha condições de chegar até a clínica. Não tem o dinheiro do busão. Eu quis ajudar, te dou o passe mensal, disse. Ele não queria o passe, queria outra coisa de mim, o meu calor talvez junto do corpo dele, não disse que era isso, mas sabemos. Era isso que eu também queria. O passe ele não aceitou. Afinal um passe caro desses, quem aceitaria?
Desistiu do passe e de nós. Oficialmente, declarou. Não podia viver assim, sem passe e sem amor. Quem sabe não seria melhor, desempatar a vida, pensou alto.
Abraçou o filho e foi embora. Eu não disse nada, não chorei, não respirei.
A manifestação correndo livre lá fora, mostrava a Record na tv – uma das únicas emissoras que parecia ser um pouco mais real, do lado da situação. Aqui dentro, eu ainda em suspensão. Os 0,20 centavos nos castigou, ajudou a enfraquecer quem mais precisava deles naquele momento.
E os manifestantes venceram, afinal? Torço por essa vitória, ainda que tenha perdido um amor que sucumbiu a todas as dores de um relacionamento e as dores do Brasil.
Meu coração se manifesta.



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