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Uma vida sem propósito

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Imagem Pinterest


Aquele pequeno aviso que já veio em forma de quebrar a unha fechando a porta, queimar a língua na colher de café quente, morder a boca quando desviou por milímetros da rabeira do outro carro, alarmou-me de novo. Nem lembro como estava fantasiado dessa vez, somente sei que não dá mais para adiar essa vida. Isso não é só um aviso é um s.o.s da alma para o universo. É chegado o momento de consertar.

Ando quebrada há tanto tempo que insisto em somente colar. Colo, passa, esqueço, quebro de novo. Pois, nem o mais poderoso superbonder do mundo funciona mais. Devo enfrentar, encarar o autonomismo, reaprender a respirar, tirar a curiosidade da caverna, tirar o corpo do ponto morto, rolar mais no chão com o filho que cresce e não vai mais dar tempo de rolar se não for hoje, rir de mim. As auto ajudas modernas disfarçadas de propósitos para uma vida melhor, dizem isso e em grande parte não estão erradas. Errada estou eu. Constipada de mim mesmo. Encalacrada. Emburrada. Feia. E consciente.

Se paro para me ouvir é uma barulheira tão danada, que voltava os fones de ouvido por mais umas horas, uns dias, umas semanas, até a próxima tpm. A última foi serena, não doeu, só sangrou muito, mas trouxe o alerta de que uma vida com tantas possibilidades desperdiçadas como a minha é um ranço que não me pertence, que não devo carregar. Posso me mexer, o caminho está livre, basta andar.



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